sábado, 26 de novembro de 2016

Conectados...

Das coisas que foram ontem, hoje, já
não são, nem estão...
Todas ficaram fora de lugar, ou se perderam
na bagunça interna de cada hora, vindas
dos distúrbios de toda gente, das falácias,
dos desprezos aparentes, dos descasos que
bloqueiam os inconscientes.
Fora de lugar também estão os sentidos, que
antes, davam vazão à liberdade. Hora, somos
meio que empurrados à desordem mental, e 
de maneira brutal, nos agredimos, nos mutilamos
e nos esgotamos por fatores desnecessários.
O que temos, são fragmentos, o que aprendemos,
tornou-se obsoleto, como se nunca houvesse uma
raiz para nos segurar. É tudo muito duvidoso e
não há perspectivas no ar...mas há diversão!
Tornamo-nos desconhecidos, apesar do tempo...
apesar das vivências ...surgiu a negligência.
Hoje temos acúmulos de informações, mas nada
temos de saberes, esquecemos o mínimo...
O x da questão é provavelmente o desencanto, a
desunião, a indiferença, e  muitos de "barrigas cheias",
desinteresses...
Nossas íntimas impressões estão em desuso, pelo 
abandono das práticas singelas, pelas desistências 
rápidas, sem reflexão...
De cabeça para baixo, estamos misturados às gerações
infantis, pelo comportamento, e trazendo de volta, os 
amigos imaginários, agora, em pequenas frases e textos.
Fomos sendo arrastados por um dilúvio globalizante, cuja
ordem expressa é,  frieza total para a dor alheia, frieza 
para a vida, e quanto à morte, tanto faz...
De repente, como diz uma certa música..."É melhor 
ser alegre, que ser triste"...




quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Estás vazio (a)?

Vá  até onde, encontre a poesia, que por si
só, irradia amor...
Vá, aonde o mar beija o horizonte e a brisa
se esconde...
Estás vazio(a)?
Vá até onde a paz te abrace em silêncio, como
prece, de mansinho,e te acalente, te faça dormir...
Vá, aonde a solidão é cheia como a lua e te traga 
reflexos de outros mundos...
Vá, para onde as trevas se perderam por não terem
prestado  atenção nas estrelas...
Vá, segue o rumo dos sonhos, mas, somente os que te
completem com os pés no chão...
Estás vazio(a)?
Busca além! Busca, até que, como uma pedra rara e
cintilante, uma poesia ou canção te alcance.
Vá longe! Até onde a poesia te fizer amar...

De olhos fechados...

De repente, despenquei sobre pétalas
de vida, daquelas que são coloridas...
Deslizei com os braços abertos, alongando
pernas, e, fechei os olhos!
Pude sentir o frescor pelas costas, como 
a me dizer..."Vai! Se derrame sobre as plumas
orvalhadas!
Se misture, se deixe cair entre as cores do arco-íris!
Sinta!!!"
Então, como uma brincadeira de escorregador de
infância, deslizei suave, cheia de risos e de ânsias...
Desejosa por ser parte daquele mundo natural e
livre, desejando por um instante, ser uma flor ou
todo um jardim ...
Desejando ser, simplesmente!
Me vi gota de oceano a espelhar o céu, me vi gota 
dos orvalhos que rolavam...
Me vi gota de pureza infinda, me vi gota de lágrima,
mas daquelas fabricadas na alegria e na emoção...
Me vi gota misturada às folhas, enquanto a chuva caía...

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Tímidos...

Fale de você aos outros, quando acordar...
O que vai fazer?
Fale de tuas conquistas de ontem, do que já
fez...O que fez?
Fale de você, sem se depreciar,  fale do teu 
maior encanto, e dos teus espantos também!
Mostre seus olhos, fale do teu mundo interior.
Você é o que se vê?
Fale dos teus medos, não dos teus segredos, são
pessoais...mas fale dos teus ais...
Fale! Fale de suas delicadezas, que não dependem
de ser ou não ser, mas, de humildade...
Fale de histórias que ainda irá viver!
Demonstre suas possibilidades de voltar atrás,
quando surgirem enganos!
Mostre que podes sorrir, apesar dos indiferentes,
dos que te surpreendem em tristezas, de repente...
Tente florir, enquanto podes, não se perca, para que 
não te colham contra vontade.
Fale de você e se dê oportunidades, tente se 
convencer do melhor, se imponha, afaste os receios
as vergonhas...
Fale,  deixe a nudez num desabafo e saiba que todos
somos tímidos nos fracassos!

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Vida aprendida...

Somente quando a eternidade me visitar,
quando não houver mais claridade em 
meus olhos, nem sonhos  em meus poemas...
Somente  quando  meus  ossos frágeis, 
mostrarem na fria lápide,  o  quanto fui 
vulnerável...
Somente quando o sol ,  não  mais  quiser 
aquecer  meu  sangue, e o frio suor, escorrer 
pela pele  em flagelo,  então,  saberei  que  é 
o fim  de  um  tempo,  e  que há uma  nova 
esquina se revelando adiante, ou  que há 
muito não se repetia...
Quando meu sopro, não tiver mais forças para 
gritar..."Deus! Deus, meu Deus!
É quando sentirei o desmaio real, e não mais
os ensaios do sono...
É quando saberei que meu corpo estará em 
verdadeiro abandono, e que meu "eu", não foi
covarde, não fugiu, apenas saiu sem olhar de 
novo para trás,  somente estarei de mãos dadas
com a eternidade e a continuação de uma história
plena.


"Aos que já partiram de nós, para além da vida..."