terça-feira, 29 de abril de 2014

Multidão...

No meio da multidão há um apego
inexplicável ....
Há um surto irremovível de vontades 
físicas, visuais, atônitas, cruéis e também 
famintas...cheiros!
Há pavores devorando as calçadas frias 
e ao mesmo tempo, um fogo ardendo em 
pensamentos, anseios por espaços, por 
tempo, por sombras ou beiras para se 
esconder das chuvas...apegos em braços 
perdidos por cegueiras múltiplas...há um
inexplicável silêncio momentâneo, um surto 
repentino de buzinas e uma tremenda falta 
de afeto, combinado com ligeira loucura...
Há palhaços, malabares, petições de dinheiro!
Há na multidão uma magia insana que embriaga
os sóbrios, confunde os largados e acolhe os que
são nobres, mas, há os  que cuidam dos pobres e 
desabrigados...A multidão como clemência, é a 
divergência  acumulando pressão...e todos nós,
amiúde, somos o eco da razão explícita da nossa
maioridade. 

Poucos argumentos...

Somos sempre o resultado feliz ou 
infeliz dos próprios passos.
A falta de atenção, afastando a autocrítica,   
nos colocando como senhores de si, construindo
um laço curioso de vaidade e medo. 
Somos a descoberta imediata, que encoraja 
e opera a livre escolha, somos o nosso 
motivo maior de vida,mas, atormentados 
pelo que os outros  possam dizer  ou 
fazer, não vivemos, nos flagelamos, sempre
açoitados por um orgulho que não vale
a pena.
Enquanto isso, o poder da descoberta é 
fraco , então, nos colocamos nas mãos de 
outras pessoas,  nossa felicidade, nossa 
dependência e riso...
Aplacados pela persuasão dos que dominam 
as tais fraquezas, não nos impomos, não nos 
permitimos a liberdade que é nossa por 
direito, nos acomodamos, atirando as 
responsabilidades ao mundo exterior, crentes 
de que o tempo soluciona tudo, e sem fazermos 
força alguma, esperamos...
A estagnação não pode ser própria dos que têm
capacidades de vencer obstáculos, dos que ainda 
acreditam e não desistem.
Não podemos deixar a desordem macular os nossos
sonhos e ideais mais nobres.Temos o dever, como 
seres pensantes, buscar as respostas, debruçar nas 
páginas que outros já escreveram e nos permitir...
Contudo,é necessário sufocar primeiro os nossos 
preconceitos, simplificando caminhos para que hajam 
continuidades...

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Nós sabemos...

Eu sei e você também sabe,
não vamos tapar o sol com
peneira...
Aqui no Brasil se leva uma vida
inteira até aprendermos a ler,
escrever...ouvir, interpretar e o 
que é mais difícil,assimilar!
"Nossos bosques tem mais vida,
nossas vidas no teu seio mais 
amores..."
Contudo, nossos bosques são
queimados e a vida de nossas
vidas há muito foi esquecida, 
em amores de outros filhos, já
marcados...pela indiferênça e
pela falta de respeito, não há 
mais o leite de peito para em 
teus seios descansar!
Já vai longe a Pátria amada,
agora idolatrada por estranhos.
Salve,salve! Salvem o Brasil de ser 
apenas uma imagem do Cruzeiro,
que não mais resplandece,apenas 
um sonho intenso...que se esquece!

Podemos escolher !

A abundância de sentimentos bons que
em nós sobrevive, é rastro de amor
que recebemos do mundo em si...
O amor reflete as aspirações da luz que
qualquer um dispõe.
A qualidade do que se busca,  está no 
aceitar os outros tais quais são...nem 
mais nem menos, pura aceitação, ter
compreensão de cada universo que é
o nosso semelhante.
Olhá-lo com  o verdadeiro olhar, não 
aquele olhar egoísta, mas o  olhar de 
satisfação pelo que  o outro representa, 
pelo  que possa representar um dia!
A aceitação implica em ser o que
primeiro entende, o que mais permite 
o que mais ama... perdoa!
Na abundância que recebemos,há espaço 
para repartir  ou mesmo somar, até 
multiplicar. São pontos de vista, eu sei, 
mas é possível ampliar o amor, mesmo 
que a humanidade esteja travada pelo 
ódio, é possível recorrer aos céus, pela fé!
Desmoralizar o mal, destruir suas forças 
pelo perdão das ofensas, ter união...paz!
Não é vergonha escolher o lado do bem, 
não é fora de moda.Vamos lá, somos vida!
Vejamos se tem  sopro para mais um fôlego 
de realidade.Vamos tentar mais uma vez 
o Amor! Vamos espalhar as luzes da caridade!

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Feliz  Páscoa  para todos !
       Obrigada pela visita!
       
        

Um jardim...

Te secreto  algo  no  canto  do
muro, como uma prece!
Te digo coisas, que só  diria assim,
em segredo...
Me conforto no teu aroma, no pio 
do beija-flor!
É ali que me escondo em poemas 
infinitos.
Te vejo e me felicito ao brilho do 
orvalho...é ali!
Te secreto coisas , meus sonhos...
Me conforto, te contemplo e reverencio
todos os dias!
Meu pequeno estágio de vida é ali, em
segredo!
Te guardo em flor, ali, no meu secreto 
jardim de amor!

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Viemos...

Nós, que um dia nascemos nus 
a mendigar o leite,  o cobertor, 
num choro profundo...
Nós, que habitamos um lar,  um 
colo!
Tivemos afagos, amor...
Nós que vimos  o sol raiar nos 
vidros de uma janela,  como a 
pedir que o explorasse lá fora!
Explore o quanto antes!
Antes que os passos comecem e  que 
as passadas aumentem  por causa das
horas vencidas...
Que se explore o raio de sol  num
verdejante jardim, num céu azul !
Nós que nascemos nus, sem controle,  
sem  coragem, esta, que só surge quando 
crescemos...
Nós, que aqui nascemos  e vivemos nus,
com almas vestidas de histórias e de 
eternidade...nós que aqui viemos pelas
mãos de Deus, nus e sem os pelos cinzas 
de lobos, mas, com uivos de dor por 
caminhos errados do amor!
Nus viemos, nus voltaremos,  sem cor e 
sem laços!

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Um vento

Colho do vento as folhas aprimoradas
do outono...
Aquelas que ficaram guardadas,impregnadas
de sonhos antigos.
Colho do vento, o pó das cinzas que se 
espalharam quando meu espírito se
deslumbrou pelo mundo...
Colho o néctar das flores enquanto o Céu
trabalha suas sementes.
Colho dos ventos o dom de acariciar meu 
próprio rosto,relembrando tempos de 
liberdade!
Colho sorrisos levados para longe, mas que
voltam de vez em quando soprando memórias.
Colho no vento o frescor da hortelã, a chuva 
fina trazida na brisa da madrugada...
Colho as poeiras da estrada que sempre me dizem
ser hora de soprá-las, para nunca mais, para 
que sumam ou se misturem ao cheiro da chuva,
transformando a saudade  em aurora de esperança!
Colho no vento a coragem de enfrentar os dias mais
difíceis...o vento...o morno e suave vento me traz 
o aconchego da prece sentida...então, colho  paz!

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Quem vê...

A poesia foi criada para iluminar 
as trevas quando a incompreensão 
e a miséria humana se colocarem 
à frente, espalhando sofrimentos!
A poesia  veio para aclarar as mentes,
abraçar as gentes...
Quem vê o mundo com olhar de 
transparência, vê além...
Vê o que os outros não podem, nem 
sentem.
Estão endurecidos e vazios de bem!
A poesia abre o leque, transcende...
O Sol, a Lua e as estrelas,tornam-se
pontos convergentes  na Terra,  e  os 
corações dos homens,num mar infinito, 
se revestem de luz  para  contemplar a vida  
docemente!

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Uma palavra

No confronto, na dividida,
não há coisa pior nessa vida
do que a violência contida...
No ódio de qualquer um, o 
 ódio ser a única medida!
Não há pior coisa na vida ,
que o ranger de dentes, gritar,
de lado, fazer cuspidas,chamar 
maldita  todas as gentes...
O ódio a alimentar o ódio, por 
qualquer contradita!
O  fato é que não se nasce com 
ódio, quase sempre, é palavra 
aprendida, herança adquirida em
berço inocente, vinda do fogo do
preconceito louco, do orgulho que
não tem jeito, das vinganças pedidas!
Não há coisa pior nessa vida, que ter
que implorar perdão, implorar a própria
existência ante a marginalidade,quando
basta uma palavra amiga, de 
alguém que pensa,que ama. Bastaria em ação, 
a consciência!